No Morning call do dia 19, o analista Mário Pisani dedicou boa parte da análise ao cenário macroeconômico e aos reflexos das decisões dos bancos centrais nos mercados. Entre os temas abordados, estiveram a postura do Federal Reserve, a decisão do Copom e os efeitos desses movimentos sobre os ativos brasileiros.
Segundo Pisani, o mercado foi surpreendido pelo novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. O analista destacou que o dirigente adotou uma postura extremamente hawkish, eliminou o forward guidance e defendeu a meta de inflação de 2% acima da política de juros.
Críticas ao Copom e à condução da política monetária
No Brasil, Mário Pisani comentou a decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Na avaliação dele, o movimento foi precipitado.
Além disso, Pisani afirmou que o Banco Central alongou o horizonte de inflação para justificar o corte dos juros. Em sua visão, isso sinaliza uma submissão ao governo e, consequentemente, provoca danos à credibilidade da instituição.
Enquanto as bolsas americanas registravam desempenho positivo, impulsionadas pelo setor de tecnologia, o Ibovespa fechou em queda. Ao mesmo tempo, o dólar avançou e a curva de juros futuros de longo prazo abriu.
Segundo Pisani, esse movimento reflete uma debandada do capital estrangeiro diante da política fiscal expansionista e do que considera um descompasso na política monetária. Dessa forma, os ativos brasileiros acabaram se descolando do movimento observado nos Estados Unidos.
Suporte do Ibovespa preocupa
Na análise técnica, Mário Pisani alertou para a região da média móvel de 200 períodos do Ibovespa, considerada por ele um suporte importante. Para o analista, a perda desse patamar pode marcar o início de um bear market mais profundo.
Além disso, Pisani classificou o cenário para diversos papéis brasileiros como de alta periculosidade. Entre as ações analisadas, apontou viés de baixa para B3, CSN, Gerdau, Petrobras e Itaú, além de projetar a continuidade dos movimentos de queda.
Por outro lado, o analista observou que ativos americanos, como os BDRs de Nvidia e Apple, continuam apresentando padrões de compra.
Estratégia favorece cautela
Mário Pisani relatou que, no pregão anterior, operou vendido no índice e comprado em dólar. Já para a sessão seguinte, marcada pelo feriado nos Estados Unidos e por uma agenda econômica mais esvaziada, a recomendação foi de cautela.
Segundo o analista, a ausência de volume favorece um mercado mais lateralizado. Por isso, ele recomenda evitar movimentos agressivos e alvos mais longos. Em vez disso, a estratégia prioriza operações mais curtas em um ambiente que ainda inspira atenção.
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