O mercado abriu o dia em clima de forte cautela. O movimento veio após uma rodada negativa nas principais bolsas globais, com investidores reagindo a quedas expressivas em ativos ligados a tecnologia e setores de maior risco.
No Morning Call desta terça-feira, 23, o analista Mário Pisani descreve o cenário como um dia de “porradaria” nos mercados internacionais. Para ele, o movimento reflete um ajuste mais amplo em posições de risco, com destaque para a pressão vinda do exterior.
Ele aponta a queda do Nasdaq (-2,7%), S&P 500 (-1,4%) e Dow Jones (-0,64%), além de um movimento ainda mais intenso na Ásia, onde o KOSPI chegou a recuar cerca de 10%.
De acordo com o Pisani, o ajuste ocorre de forma concentrada em segmentos que vinham sustentando parte do fluxo recente, com destaque para semicondutores e inteligência artificial.
Queda das bolsas globais pressiona mercados e amplia volatilidade
Nos Estados Unidos, o movimento foi de correção ampla, com o Nasdaq liderando as perdas entre os principais índices. O S&P e o Dow também acompanharam o movimento, mas com intensidade menor.
Na Ásia, o destaque negativo ficou com o KOSPI, que registrou queda próxima de dois dígitos. Segundo o analista Mário Pisani, o comportamento reforça a leitura de forte ajuste em empresas ligadas à cadeia de tecnologia e chips.
Para ele, o movimento tem característica mais técnica do que estrutural, associado à redução de exposição em ativos que vinham acumulando valorização recente.
Ibovespa sobe, mas volume reduz leitura de força
Enquanto o exterior recua, o Ibovespa avançou na sessão anterior e voltou a operar acima da região dos 170 mil pontos, com alta de aproximadamente 1,2%.
Apesar do desempenho positivo, Pisani chama atenção para o volume financeiro, que ficou em R$ 23,8 bilhões, abaixo do que seria considerado consistente para sustentar tendência de alta mais sólida.
O setor financeiro voltou a ser um dos principais suportes do índice, ajudando a manter o desempenho positivo no fechamento.
Banco Central atua e Tesouro ajusta oferta
No câmbio e na renda fixa, o dia foi marcado por atuação coordenada de política econômica.
O Banco Central realizou operações combinadas de venda de dólares à vista e swaps reversos, o chamado casadão, com o objetivo de reduzir volatilidade no mercado cambial, conforme análise de Mário Pisani.
No mesmo contexto, o Tesouro Nacional suspendeu leilões de NTN-Bs, movimento interpretado como tentativa de aliviar pressão na parte longa da curva de juros.
Copom mantém tom flexível, inflação segue no radar
A leitura da ata do Copom indica um tom mais suave do que o esperado pelo mercado. O documento não sinaliza de forma clara uma interrupção no ciclo de cortes de juros, mantendo espaço para flexibilização.
Por outro lado, o analista destaca que a inflação doméstica volta a aparecer como fator de atenção, com a aceleração recente do IPCS-Fipe adicionando ruído ao processo de desinflação.
O cenário segue combinando política monetária ainda expansionista com pressões inflacionárias pontuais.
Análise técnica reforça risco de reversão no curto prazo
No campo gráfico, Pisani destaca a formação de uma “barra elefante” de queda no Nasdaq, figura que pode sinalizar perda de força da tendência recente e abertura para correção mais ampla.
No dólar, o viés projetado segue de alta, com alvo técnico na região de 5,31, com base em projeções de Fibonacci.
Já no Ibovespa, o nível de 165 mil pontos aparece como suporte relevante. Segundo o analista, a perda dessa região abriria espaço para um movimento em direção aos 162.500 pontos.
No encerramento da análise, reforça que o ambiente segue sensível ao comportamento dos fluxos globais. A leitura geral aponta para um cenário de ajuste e maior volatilidade no curto prazo, sem definição clara de tendência predominante no momento.
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