Mário Pisani analisa a Super Quarta do mercado com foco nas decisões de juros do Fed e do Copom

Super Quarta concentra atenções entre juros e cenário fiscal

A quarta-feira começou com investidores atentos a um dos dias mais importantes do calendário econômico. A chamada Super Quarta reúne as decisões de política monetária dos Estados Unidos e do Brasil, eventos capazes de influenciar bolsa, câmbio e juros nas próximas semanas.

Durante o Morning Call desta quarta-feira (17), o analista Mário Pisani destacou que o mercado trabalha com a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Mais do que a decisão em si, os investidores aguardam os sinais sobre os próximos passos do Banco Central.

O dia também é marcado pelo vencimento do índice futuro. Pisani chamou atenção para o ajuste gráfico provocado pela migração para o novo contrato, lembrando que a diferença de juros entre os vencimentos pode gerar distorções na leitura dos gráficos.

Super Quarta do mercado mantém investidores atentos aos juros

No exterior, o analista destacou a realização de lucros em empresas de tecnologia e a migração de recursos para setores mais tradicionais. Bancos, varejo e indústrias aparecem entre os segmentos que vêm recebendo parte desse fluxo, em meio à expectativa pela decisão do Federal Reserve.

Pisani também comentou o cenário geopolítico envolvendo Irã e Israel. Segundo ele, o mercado acompanha a possibilidade de um memorando de entendimento com os Estados Unidos, o que poderia aliviar as tensões na região.

Fiscal continua no radar do mercado brasileiro

No Brasil, a preocupação segue concentrada nas contas públicas. Mário Pisani ressaltou que o mercado observa com cautela os impactos das pesquisas eleitorais, o endividamento das famílias e os sinais de dominância fiscal, em um ambiente de dúvidas sobre a continuidade dos gastos do governo.

Entre os destaques corporativos, o analista mencionou o relatório do Morgan Stanley sobre a Raia Drogasil e a situação jurídica da Braskem. Outro ponto observado foi a manutenção da classificação de risco do Brasil pela Fitch.

Tributação de dividendos entra em debate

Pisani também abordou os efeitos da tributação de dividendos. Segundo os dados apresentados, houve uma redução de cerca de 27% nos pagamentos após o início da cobrança do imposto.

Ao mesmo tempo, a arrecadação ficou muito abaixo das estimativas iniciais. A expectativa era de aproximadamente R$ 30 bilhões, mas o valor obtido não chegou a R$ 1 bilhão.

Ibovespa, Vale e Petrobras seguem no foco

Na análise técnica, o analista observou que o Ibovespa permanece em tendência de baixa. A Vale continua sendo influenciada pelo comportamento do minério de ferro, enquanto a Petrobras segue entre os papéis acompanhados pelo mercado, com alvo técnico na faixa dos R$ 35.

Com decisões de juros, preocupações fiscais e mudanças no fluxo de capital global, a Super Quarta concentra as atenções dos investidores e deve ditar o ritmo dos mercados nos próximos dias.


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