Mercado brasileiro enfrenta pressão fiscal, avalia Mário Pisani

Mercado enfrenta pressão fiscal e queda da Petrobras, avalia Mário Pisani

A semana começou com o mercado brasileiro em um ambiente de cautela. Durante sua análise no Morning Call desta terça-feira (16), Mário Pisani destacou que o pregão anterior até apresentou um início positivo, mas o movimento não conseguiu se sustentar ao longo do dia.

Segundo o analista, os ganhos registrados nas primeiras horas foram devolvidos rapidamente, refletindo um cenário que continua sendo influenciado por fatores internos e externos.

Petrobras pesa sobre o índice

Entre os destaques da análise, Mário chamou atenção para o desempenho das ações da Petrobras. A companhia registrou queda de 5,15%, movimento que teve impacto relevante sobre o índice futuro.

De acordo com o analista, a desvalorização foi influenciada pela queda do petróleo no mercado internacional. A expectativa de um possível fim da guerra no Oriente Médio contribuiu para a pressão sobre a commodity, refletindo diretamente nos papéis da estatal.

Mário também ressaltou o elevado volume negociado nas ações da empresa, superior a R$ 2 bilhões, reforçando o peso da Petrobras no comportamento do mercado.

Mercado brasileiro acompanha cenário fiscal

Outro tema abordado pelo analista foi a situação fiscal do país. Mário destacou que as discussões em torno do arcabouço fiscal continuam pressionando a percepção do mercado sobre a economia brasileira.

Durante a análise, ele citou a atualização do relatório fiscal de junho, que elevou a projeção do déficit primário de R$ 57,8 bilhões para R$ 59 bilhões.

Além disso, o analista demonstrou preocupação com a trajetória da dívida pública, mencionando projeções que apontam para uma relação próxima de 100% do PIB ao final do mandato do próximo governo.

Saída de estrangeiros preocupa investidores

Mário também comentou o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira. Segundo ele, junho registra saída líquida de recursos internacionais da B3, acumulando saldo negativo de R$ 4,3 bilhões no mês.

Para o analista, o dado merece atenção por representar um movimento de retirada de capital do mercado brasileiro em um momento de incertezas fiscais e econômicas.

Política e cenário internacional influenciam o mercado

No campo político, Pisani repercutiu os resultados de uma pesquisa eleitoral divulgada pela BTG Nexus. O levantamento apontou vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um cenário de disputa contra Flávio Bolsonaro.

Segundo o analista, o mercado já começa a precificar a possibilidade de reeleição com base nos cenários apresentados pelas pesquisas.

No exterior, Mário destacou dados da economia dos Estados Unidos que indicam desaceleração da atividade industrial. Na avaliação apresentada durante a análise, esse movimento reduz a pressão por novos aumentos de juros por parte do Federal Reserve.

O analista também comentou a decisão do Banco Central do Japão de elevar a taxa de juros para 1%, nível que representa o maior patamar registrado pelo país em 30 anos.

Os temas fiscais, o fluxo estrangeiro, o cenário político e os movimentos da economia internacional seguem entre os principais fatores observados pelo mercado neste momento.




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